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Lei da Agrofloresta #7: ÁRVORE PODADA TRABALHA MAIS




Após ministrar qualquer curso de agrofloresta, gosto de pedir aos participantes que falem um pouco sobre a experiência do curso: o que gostaram e quais foram os maiores aprendizados. Certa vez, o curso aconteceu poucos dias após uma poda drástica em um Amendoim Bravo (Pterogyne nitens). Ao final do curso, certa mulher comentou (estou parafraseando): “Quando cheguei na fazenda, fiquei chocada com o que havia sido feito àquela árvore, pois parece contra intuitivo, já que trabalhamos tanto para plantar árvores. Mas agora começo a entender o porquê”.

Sempre digo às pessoa: “Árvore não é museu”. O natural da natureza é o enriquecimento, e os distúrbios na floresta são um importante mecanismo de enriquecimento, pois renovam a vegetação e alimentam os seres que ali vivem.




A famosa curva sigmoide (em vermelho no gráfico) é representativa do comportamento de crescimento de diversos organismos vivos e populações. Para plantas perenes, essa curva se aplica tanto para o comportamento de crescimento ao longo de sua vida, quanto para o crescimento cíclico, que ocorre anualmente em condições estáveis, ou várias vezes por ano se a planta é submetida a distúrbios (causados pelo homem ou por outras forças da natureza, tais como terremotos, furacões, enchentes, raios).

Essa imagem foi retirada da Cartilha de Pastoreio Voisin e representa o comportamento do pasto após um corte. Esse mesmo gráfico vale para as plantas perenes na sua agrofloresta. A diferença vai estar no tempo de repouso até um novo corte.

Qualquer planta saudável armazena reservas em seu caule e raízes, com o objetivo de florescer e frutificar ou se recuperar após um distúrbio. Se deixada para florescer e frutificar, a planta reduz drasticamente o seu crescimento vegetativo (parte do gráfico em que a linha vermelha se torna mais horizontal) para que possa investir na sua reprodução. Uma poda realizada neste momento estimula a planta a redirecionar essas reservas para o seu crescimento vegetativo, ou seja, para produção de folhas novas, já que a folha é o órgão essencial para a sua sobrevivência.

Para o enriquecimento da sua roça, o crescimento vegetativo é indispensável. Você não precisa que as plantas floresçam e frutifiquem para que façam fotossíntese e produzam matéria orgânica, dois elementos chave para o enriquecimento do seu sistema. Por isso, deixe florescer apenas aquelas plantas cujos frutos deseja. E mesmo estas devem ser após a frutificação. Essa prática de poda frequente é um dos diferenciais da agricultura Sintrópica.

“Com qual frequência devo podar minhas árvores? E quanto de suas copas devo podar? “

Depende da planta, do clima, do solo. Só a experiência irá te dizer. Mas como via de regra, para climas tropicais e subtropicais, pode drasticamente suas árvores e arbustos de serviço (que estão ali com o intuito principal de produzir matéria orgânica) de 1 a 3 vezes ao ano. Gramíneas e alguns arbustos, como o margaridão (Tithonia diversifolia) podem ser podados de 6 a 12 vezes. Uma poda drástica significa eliminar de 80% a 100% da copa da planta.



Veja o mesmo jatobá 4 meses após a poda drástica. Quem vai dizer que ele não gostou da poda?

Para a próxima semana: Lei #8: Trate suas ferramentas como você trata uma pessoa amada (ou vice-versa). Para uma boa poda, você precisa de ferramentas de qualidade e bem cuidadas.