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LEI DA AGROFLORESTA #6: CUBRA SEU SOLO. COM COBERTURA VIVA E MORTA.

Atualizado: 28 de ago. de 2020

Cobertura morta: resíduos orgânicos depositados sobre a superfície do solo

Cobertura viva: plantas organizadas de forma a interceptar a água da chuva e insolação




Eu não inventei nenhuma destas leis que exponho aqui. A natureza as inventou. A minhoca busca solos cobertos, as raízes das plantas buscam solos cobertos, e todos os microrganismos benéficos à vida vegetal buscam solos cobertos. É apenas uma constatação.

Talvez esta deva ser a Lei #1 da Agrofloresta. Meu professor, Juã Pereira (do Sítio Semente), diz que se fosse ele a definir as regras para a certificação de produtos orgânicos, a primeira regra seria ter o solo coberto. Meu outro professor, Ernst Götsch, diz que o solo deve ter 200% de sombreamento. Isso só pode ser atingido por consórcios de plantas bem planejados, utilizando sistemas multi-estratificados (mencionado na Lei #2: Mire no Seu Teto Fotossintético), ou seja, diversos “andares de plantas” que interceptam sucessivamente a luz solar e a água da chuva. Quem já caminhou pela floresta durante a chuva sabe que lá a chuva nunca é tão forte como fora da mata, e que a chuva dura mais tempo, pois a água vagarosamente desliza através das copas plantas.

Stephen Covey, em seu livro “Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes”, fala da importância do balanço P / CP (produção dos resultados desejados / capacidade de produção). Na agricultura, P são os produtos agrícolas que deseja produzir e CP está intimamente ligado à situação de seu solo. Esopo, na sua fábula do Homem e os Ovos de Ouro, conta sobre as consequências da excessiva valorização de P, em detrimento de CP:

“Certo homem tinha uma gansa, que botava um ovo de ouro todos os dias. Não contente com sua boa sorte, que aumentou a sua avareza, ao invés de reduzi-la, ele resolveu matar a gansa, para que pudesse acessar o tesouro inexaurível que pensava estar dentro dela. Assim o fez e, para sua tristeza e decepção, não encontrou nada. “

Não trate seu solo como a gansa da fábula. O solo descoberto está sujeito à erosão e ao aquecimento excessivo, causando um ciclo de degradação, enquanto o solo bem coberto desencadeia um ciclo de enriquecimento.

A cobertura morta, além de proteger o solo contra efeitos adversos do sol e da chuva, cria um ambiente propício ao desenvolvimento das raízes das plantas e de uma microbiota favorável ao seu desenvolvimento. Além disso, a decomposição da matéria enriquece, quimica e estruturalmente, o solo.

A cobertura viva garante o máximo aproveitamento da luz solar incidente sobre seu campo e isso significa mais fotossíntese, mais produção, maior sequestro de carbono, melhor alimentação dos microrganismos do seu solo, manutenção de uma temperatura mais agradável (para você e para as plantas), maior umidade do ar.

Para cobrir o seu solo, você pode muito bem importar matéria orgânica, trazendo restos de madeira, folhas secas, capim cortado, serrapilheira, ramos podados de árvore. Aproveite estes materiais, que são descartados por outras pessoas. Mas você deve sempre buscar a constante produção de matéria orgânica no seu próprio campo. Este é um dos diferencias da agricultura Sintrópica: não enriquecemos o nosso solo unicamente a partir da importação de recursos, mas também a partir dos processos naturais realizados in loco.

Por isso, utilize consórcios inteligentes no seu sistema de modo a ter uma densa cobertura vegetal. Use e abuse as árvores e plantas perenes no seu sistema. Mas lembre-se da Lei #7: ÁRVORE PODADA TRABALHA MAIS.